Arquitetura Digital: BIM, Inovação e Sustentabilidade

A Arquitetura Digital: BIM é uma tecnologia digital aplicada à concepção e produção de Arquitetura, Engenharia e Construção – AEC.  BIM (Building Information Modeling), ou Modelagem de Informações para a Construção, permite organizar, em um mesmo arquivo eletrônico, um banco de dados de toda a obra, acessível a todas as equipes de engenharia e arquitetura envolvidas na construção.

Enquanto, no passado, os edifícios podiam ser entendidos como a materialização de desenhos feitos à mão no papel vemos que, atualmente, devem ser entendidos como a materialização de informações digitais, e a sua qualidade deve ser analisada a partir da qualidade da tecnologia utilizada em sua produção,  o que passa a ser possível com ampla aplicabilidade.

O BIM – Building Information Modeling,  pode ser utilizado nas mais variadas aplicações, desde simulações que conduzem o processo de concepção dos edifícios de acordo com um desempenho esperado, até ações de cunho social, sem esquecer, o desafio da formação dos novos arquitetos, que irão operar toda essa tecnologia nos ateliers de projeto contemporâneos.

Nos softwares BIM, o desenho é mais “inteligente”. Ao desenhar a parede, o projetista deve atribuir-lhe propriedades – tipo de blocos, dimensões, tipo de revestimento, fabricantes etc. -, que são salvas no banco de dados. A partir dele, é gerada automaticamente a legenda do desenho. Em outras fases da construção, porém, também é possível extrair informações em outros formatos, como tabelas de quantitativos de material para a equipe de orçamentistas.

O grande desafio que se coloca neste momento para a Arquitetura, Engenharia e Construção, assim como os demais setores produtivos do Brasil é o de como sobreviver e se impor no mercado internacional, já não apenas como um participante periférico do sistema, mas como um ator relevante na economia globalizada?

Em Seminário Internacional da AsBEA, foi discutida uma pesquisa realizada entre os anos 2008 e 2009, com o apoio do fundo Mackpesquisa, onde se constatou que os escritórios de arquitetura paulistanos estão devidamente atualizados em relação aos hardwares e softwares utilizados na concepção e desenvolvimento de seus projetos, mas ainda fazem um uso bastante ortodoxo dessas ferramentas, entendendo-as, principalmente, como instrumentos avançados de representação geométrica.

Um conceito há muito superado nos mercados mais avançados da Europa, América do Norte e Ásia, onde a tecnologia digital tem sido cada vez mais utilizada como apoio à concepção e desenvolvimento dos projetos, muito além do seu aspecto apenas instrumental, ou seja, utilizando todo o seu potencial de processamento de dados para viabilizar simulações de desempenho e novas formas de equacionar os desafios propostos pelos sofisticados programas dos grandes edifícios contemporâneos e que, aos poucos, vai compondo uma nova estética.

Não se trata apenas de avanço tecnológico, mas de transferir para a arquitetura do modo de fazer contemporâneo da indústria aeronáutica, automobilística e de navegação, uma metodologia baseada na tecnologia digital que dispensa o papel e trabalha num fluxo contínuo entre o projeto e a construção, o que está moldando uma nova arquitetura que emerge da revolução digital, ao encontrar sua expressão em formas curvilíneas de alta complexidade que, pouco a pouco, vão se incorporando às principais tendências.

Um novo paradigma que precisa ser incorporado às nossas referências conceituais de produção contemporânea de arquitetura no Brasil, tal como ocorreu no início do século XX, em relação ao Modernismo, que resultou das mudanças paradigmáticas impostas pela Revolução Industrial no século anterior.

Um percurso que pode encontrar resistência e muitas vezes a crítica, mas, talvez, um caminho sem volta, pois estamos hoje em plena era digital, na qual os paradigmas da complexidade, diversidade, descontinuidade e diferenciação se impõem aos monolíticos conceitos da padronização e ortogonalidade baseados na geometria euclidiana, impostos pela industrialização.

Assim, ao assumir o seu novo papel no mundo globalizado, teremos de mergulhar neste mundo novo, onde novas contradições serão postas à prova, mas, ao mesmo tempo, emergirão novas possibilidades para a solução de antigos problemas.

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Sobre arquiteturaunimar

Periódico eletrônico da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Marília.
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